contato@geokrigagem.com.br | (11) 2276-5711

No artigo anterior (publicado em 4 de abril de 2017 Continuidade geológica), vimos como se manifesta o efeito de suavização da krigagem ordinária, por meio da redução da variância, que se apresenta tanto no histograma como no variograma. Então, isso significa que a krigagem ordinária não proporciona precisão global. A reprodução da variabilidade espacial das estimativas em relação à amostra é importante para fins de inferência das propriedades do depósito mineral em estudo (população). Neste artigo, vamos ver como se pode fazer a correção do efeito de suavização da krigagem ordinária.

Introdução

Como tratado em artigos anteriores, a incerteza associada à estimativa por meio da krigagem ordinária pode ser medida tanto pela variância de krigagem como pela variância de interpolação. A variância de krigagem não pode ser usada como uma medida de incerteza, mas tão somente como um índice da configuração espacial dos pontos de dados usados. Além disso, André Journel diz que a variância de krigagem é ilusória (prefácio do livro de Goovaerts, 1997, p. VIII). Por outro lado, a variância de interpolação é uma medida efetiva de incerteza, pois reflete a dispersão dos valores dos pontos de dados em relação à estimativa obtida por krigagem ordinária.

A título de rápida revisão do assunto, a estimativa por krigagem ordinária é feita por meio de uma expressão de média ponderada:

onde { li, i=1,n} são os pesos resultantes da solução de uma sistema de equações de krigagem ordinária.

A variância de interpolação pode ser calculada como uma média ponderada das diferenças ao quadrado entre os pontos de dados e o valor estimado (1):

A variância de interpolação será sempre positiva se, e somente se, todos os pesos forem positivos. Para isso, há necessidade de se fazer uma correção dos pesos negativos.

A estimativa da krigagem ordinária (equação 1) está suavizada, ou seja, isso significa que os baixos valores são superestimados e os altos valores são subestimados. O ponto de partida para a correção do efeito de suavização está na determinação da incerteza associada, como se descreve a seguir.

 

Método de correção do efeito de suavização

Existem basicamente dois métodos propostos para a correção do efeito de suavização da krigagem ordinária. O primeiro proposto por Yamamoto (2005) se baseia na adição de um termo denominado erro de suavização derivado do processo de validação cruzada. O segundo método, proposto por Rezaee et al. (2011), usa a bem conhecida equação de transformação em estatística em que as estatísticas amostrais são usadas para corrigir a estimativa suavizada. Esse método será abordado em um futuro artigo.

O método proposto por Yamamoto (2005) e atualizado por Yamamoto (2007) parte de um processo de validação cruzada que permite obter o valor estimado para um ponto amostrado e daí calcular o erro, pois neste ponto se conhece o valor real. Na realidade, na validação cruzada se obtém, além da estimativa, o desvio padrão de interpolação. Dividindo-se o erro pelo desvio padrão de interpolação, tem-se uma nova variável aleatória denominada de número de desvios padrão de interpolação:

 é a estimativa obtida por krigagem ordinária da validação cruzada,  é o valor real e  é o desvio padrão de interpolação no ponto amostral, onde o superescrito X denomina a validação cruzada.

Observe-se que agora temos a nova variável   em todos os pontos de dados amostrais. Assim, essa variável pode ser interpolada em todos os nós da malha regular que se deseja obter . A variável de interesse  é também interpolada sobre os nós da malha regular. Assim, após a realização da validação cruzada e da krigagem ordinária, tem-se para cada nó da malha regular , . Esses valores são todos combinados para obtenção da variável corrigida da suavização, como segue:

Portanto, trata-se em fazer um pós-processamento das estimativas obtidas por krigagem ordinária para correção do efeito de suavização, conforme a equação (4). Evidentemente, há outros detalhes que devem ser considerados para evitar a superestimativa ou subestimativa dos erros de suavização, os quais podem ser vistos em Yamamoto (2007).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REZAEE, H. ; ASGHARI, O. ; Yamamoto, J.K. . On the reduction of the ordinary kriging smoothing effect. Journal of Mining & Environment, v. 2, p. 25-40, 2011.

YAMAMOTO, J. K.. Correcting the smoothing effect of ordinary kriging estimates. Mathematical Geology, v. 37, n.1, p. 69-94, 2005.

YAMAMOTO, J. K.. On unbiased backtransform of lognormal kriging estimates. Computational Geosciences, v. 11, p. 219-234, 2007

No artigo anterior (publicado em 4 de abril de 2017 – Continuidade geológica), vimos o que é o efeito de suavização da krigagem ordinária. Neste, vamos ver uma solução baseada na simulação Gaussiana sequencial, que é um dos métodos mais usados em geoestatística, devido à sua facilidade de uso e de implementação. A simulação estocástica foi a solução adotada pela geoestatística para resolver o problema da suavização da krigagem (Olea, 1999, p. 141). Entretanto, a simulação também não é a solução perfeita (Olea, 1999, p. 141), ou seja, se ganha em precisão global em detrimento da precisão local. Na realidade, as realizações não estão isentas de erros na reprodução da realidade, inclusive em média os erros são maiores que da krigagem (Olea, 1999, p. 141). A simulação estocástica também foi a solução adotada pelos geoestatísticos para modelar a incerteza associada à estimativa (Deutsch, 2011, p. 5-1). Isso porque que a variância de krigagem foi reconhecida apenas como um índice de configuração espacial dos pontos vizinhos próximos (Journel & Rossi, 1989, p. 783). Este artigo não pretende fazer uma revisão da teoria da simulação Gaussiana sequencial, mas somente demonstrar os resultados obtidos por meio desta técnica e verificar a precisão global, em termos da reprodução do histograma e do variograma. Para detalhes da técnica, convidamos o leitor a consultar Yamamoto e Landim (2013, p. 149-159).No artigo anterior (publicado em 4 de abril de 2017), vimos o que é o efeito de suavização da krigagem ordinária. Neste, vamos ver uma solução baseada na simulação Gaussiana sequencial, que é um dos métodos mais usados em geoestatística, devido à sua facilidade de uso e de implementação. A simulação estocástica foi a solução adotada pela geoestatística para resolver o problema da suavização da krigagem (Olea, 1999, p. 141). Entretanto, a simulação também não é a solução perfeita (Olea, 1999, p. 141), ou seja, se ganha em precisão global em detrimento da precisão local. Na realidade, as realizações não estão isentas de erros na reprodução da realidade, inclusive em média os erros são maiores que da krigagem (Olea, 1999, p. 141). A simulação estocástica também foi a solução adotada pelos geoestatísticos para modelar a incerteza associada à estimativa (Deutsch, 2011, p. 5-1). Isso porque que a variância de krigagem foi reconhecida apenas como um índice de configuração espacial dos pontos vizinhos próximos (Journel & Rossi, 1989, p. 783). Este artigo não pretende fazer uma revisão da teoria da simulação Gaussiana sequencial, mas somente demonstrar os resultados obtidos por meio desta técnica e verificar a precisão global, em termos da reprodução do histograma e do variograma. Para detalhes da técnica, convidamos o leitor a consultar Yamamoto e Landim (2013, p. 149-159). Para esse artigo, vamos considerar o mesmo conjunto de dados utilizado no artigo anterior, ou seja, uma amostra com 64 pontos apresentando uma distribuição lognormal. O primeiro passo consiste na transformação Gaussiana dos dados originais (Figura 1).

 

 

Processo de transformada dos dados originais (ZLOG) para os escores da distribuição normal (transformada Gaussiana).

Em seguida, faz-se o cálculo e modelagem de variogramas experimentais dos dados transformados (Figura 2)

Figura 2: Modelo de variograma dos dados transformados para escores normais.

Antes de prosseguir com a simulação Gaussiana sequencial, temos que testar a hipótese de biGaussianidade dos dados, cuja base teórica se encontra em detalhe em Yamamoto e Landim (2013, p. 87-88). O teste é feito visualmente comparando-se os variogramas experimentais e os teóricos obtidos para determinados percentis da distribuição. Nesse caso, consideramos os três quartis da distribuição (Figura 3).

Figura 3: Teste de biGaussianidade dos dados para os três quartis da distribuição.

Como se trata de variáveis indicadoras, o variograma da mediana é sempre o mais representativo, pois terá sempre em seu cálculo o maior número de pares de pontos. Como se pode verificar na Figura 3, os variogramas experimental e teórico apresentam boa aderência. Cabe ressaltar que quando a hipótese de biGaussianidade dos dados não pode ser comprovada, a krigagem indicadora sequencial é a melhor solução. Evidentemente, sempre o melhor ajuste será observado para o variograma da variável indicadora da mediana. Como o resultado do teste foi positivo, procede-se com as realizações da simulação Gaussiana sequencial. Geralmente, o número de realizações deve ser superior a 100. As realizações são equiprováveis. Algumas dessas realizações estão ilustradas na Figura 4.

Para verificação da reprodução do histograma, vamos usar a curva acumulativa, pois permite comparar graficamente os resultados obtidos, bem como usar os diagramas de probabilidade-probabilidade (P-P), como se apresenta na Figura 5. Como se pode observar, a reprodução do histograma de uma realização aleatória da simulação Gaussiana sequencial é bem superior quando comparada à krigagem ordinária suavizada.

A Figura 6 mostra os variogramas obtidos para uma realização escolhida aleatoriamente, onde se pode verificar a razoável reprodução do variograma amostral, tanto na escala Gaussiana como na escala original dos dados.

Figura 4: Realizações da simulação Gaussiana sequencial, após transformação reversa para a escala original dos dados.

Figura 5: Comparação entre as distribuições de dados originais (cruz vermelha), uma realização escolhida aleatoriamente (quadrado azul) e a krigagem ordinária (círculo verde).

Figura 6: Comparação de variograma de uma realização escolhida aleatoriamente com o respectivo variograma amostral para os escores normais e após a transformação reversa para a escala original dos dados.

Em conclusão, as realizações da simulação Gaussiana sequencial apresentam precisão global em termos da reprodução do histograma e do variograma. Observe-se que estamos trabalhando com uma amostra que apresenta distribuição lognormal. Assim, nos próximos artigos vamos tratar de técnicas que são indicadas para tratar dados com distribuição lognormal, tais como: krigagem lognormal e krigagem multiGaussiana.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Deutsch, C.V., 2011, Guide to Best Practice in Geostatistics, Version 1.0, Centre for Computational Geostatistics, University of Alberta, Edmonton, Canada, 200 pages.

Journel, A.G.; Rossi, M.E. 1989. When do we need a trend model in kriging? Math. Geol., v. 21, p. 715-739.

Olea, R.A. 1999. Geostatistics of engineers and earth scientists. Boston, Kluwer Academic Publishers. 303p.

Yamamoto, J.K.; Landim, P.M.B. 2013. Geoestatística: conceitos e aplicações. São Paulo, Oficina de Textos. 214p.

No último dia 25 de julho de 2017, o governo anunciou o Programa de Revitalização da Industria Mineral Brasileira, um conjunto de Medidas Provisórias que tem como objetivo devolver a competitividade para o setor de mineração do país.

Como foco do programa, foram promulgadas três Medidas Provisórias: a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM) substituindo o atual Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM); a modernização do Código de Mineração; e alterações nas normas que regem a CFEM.

No que se refere à CFEM, as alterações foram significativas. Muitas regras que já estavam vigentes sob a forma de normas infralegais ganharam participação nos dispositivos trazidos pela MP nº 789/2017, traduzindo um movimento claro de dar segurança jurídica aos atos já praticados no acompanhamento e fiscalização da arrecadação da CFEM.

Pontos antes considerados polêmicos trazidos em portarias internas, pareceres e ordem de serviços foram trazidos para o texto da MP, buscando pacificar entendimentos como: prazos prescricionais e decadenciais, relações comerciais existentes entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico, aplicação de penalidades e procedimentos para realização de arbitramentos.

Também foram alterados os procedimentos para composição da base de cálculo. Ainda sob uma análise prévia de quem aguarda pela aprovação do texto inicial, destaca-se a mudança da base de cálculo do produto bruto ou beneficiado que era adotado como faturamento líquido para a receita bruta de vendas, deduzidos os impostos incidentes.

Ainda que pareça ser uma mudança com poucos impactos financeiros, a exclusão da dedução das despesas de transporte e seguros pode representar uma urgente necessidade de adaptação dos procedimentos de apuração da CFEM.

Por outro lado, mas de maneira não menos complexa, a base de cálculo das empresas “verticalizadas”, ou seja, àquelas que utilizam, consomem ou transformam o bem mineral, também foi significativamente alterado.

A base de cálculo que antes representava o custo agregado até a etapa que antecede o consumo ou a transformação industrial do bem mineral passa a ser um valor de referência, cujo preço representa o valor do bem mineral no mercado.

Ainda é prematuro para avaliar os impactos financeiros dessas mudanças, mas o grande impacto está diretamente relacionado às alterações nas alíquotas.

Sobre o bem mineral de maior impacto na arrecadação de CFEM, a alíquota do ferro ganhou faixas de variação correspondente ao preço do bem no mercado internacional: a alíquota flutuará de 2% a 4% de acordo com a cotação do ferro, já partindo de um aumento de 25% (de 2% para 2,5%).

Também houveram mudanças nas alíquotas de nióbio e ouro, que passaram de 2% para 3%, um aumento de 50%.

Por outro lado, o setor de agregados teve uma redução de alíquota de 2% para 1,5%, atendendo uma antiga demanda do setor.

Segundo a MP, as alíquotas entrarão em vigor em 1º de novembro desse ano. As alterações relacionadas à base de cálculo para as empresas “verticalizadas” aguardarão até 1º de janeiro de 2018. Porém, as demais regras já estão em vigor desde 1º de agosto. Muitas incertezas pairam sobre o mercado, aguardando pela regulamentação, emendas ou manifestação oficial da ANM (ou devemos dizer DNPM?).

Resta saber se as regras constantes do texto original sofrerão mudanças ao passar pelo Congresso. O que se espera é que as regras claras venham trazer a isonomia que o setor tanto esperava, tratando todos de forma equânime e justa.

Alinhamento aos Códigos Internacionais de Recursos e Reservas

Enfim a legislação brasileira alinha-se quanto à classificação de recursos e reservas minerais, conforme padrões internacionais!

Dia 25 de julho foi um dia marcante para a história da mineração brasileira, com a promulgação das Medidas Provisórias:

 

Diversos itens da MP nº 790/2015 referem-se à pesquisa mineral, mas vou me ater apenas a alguns pontos que mais afetam minha área de conhecimento e atuação profissional.

 

1) O que muda na pesquisa mineral com as alterações da MP 790/2017?

Destaco as atualizações de conceitos no Código de Mineração, a começar pelo caput do Artigo 14:

Art. 14. Entende-se por pesquisa mineral a execução dos trabalhos necessários à definição da jazida, à sua avaliação e à determinação da exequibilidade preliminar de seu aproveitamento econômico.  (Redação dada pela Medida provisória nº 790, de 2017).

A alteração deste item foi bastante sutil – antes mencionava “determinação da exequibilidade de seu aproveitamento econômico” e na nova redação menciona “exequibilidade preliminar”.

O parágrafo 1º não foi alterado.

O parágrafo 2º, que apresentava um conceito bastante impreciso (“A definição da jazida resultará da coordenação, correlação e interpretação dos dados colhidos nos trabalhos executados, e conduzirá a uma medida das reservas e dos teores”) foi muito melhorado e acrescentou a adoção das práticas internacionais, demanda muitíssimo antiga da mineração brasileira, para alinhar-se às condutas globais:

§ 2º A definição da jazida resultará da coordenação, da correlação e da interpretação dos dados colhidos nos trabalhos executados e conduzirá à mensuração do depósito mineral a partir dos recursos inferidos, indicados e medidos e das reservas prováveis e provadas, conforme estabelecido em ato do DNPM, necessariamente com base em padrões internacionalmente aceitos de declaração de resultados.   (Redação dada pela Medida provisória nº 790, de 2017)

O parágrafo 3º também especificou melhor o texto anterior (“A exeqüibilidade do aproveitamento econômico resultará da análise preliminar dos custos da produção, dos fretes e do mercado“), com a redação:

§ 3º  A exequibilidade do aproveitamento econômico, objeto do relatório final de pesquisa, decorrerá do estudo econômico preliminar do empreendimento mineiro baseado nos recursos medidos e indicados, no plano conceitual da mina e nos fatores modificadores disponíveis ou considerados à época do fechamento do referido relatório.     (Redação dada pela Medida provisória nº 790, de 2017)

Entendo que também são recomendados maiores estudos de aproveitamento econômico, conforme as boas práticas internacionais.

O parágrafo 4º, que foi incluído pela MP, é uma das melhores alterações, no meu entendimento:

§ 4º  Após o término da fase de pesquisa, o titular ou o seu sucessor poderá, mediante comunicação prévia, dar continuidade aos trabalhos, inclusive em campo, com vistas à conversão dos recursos medidos ou indicados em reservas provadas e prováveis, a serem futuramente consideradas no plano de aproveitamento econômico, bem como para o planejamento adequado do empreendimento.     (Incluído pela Medida provisória nº 790, de 2017)

Este era um grande entrave na legislação atual, pois quando se finalizava a pesquisa com a entrega do Relatório Final de Pesquisa, o empreendedor estava proibido de continuar esta atividade até a publicação da Portaria de Lavra, quando podia, então, fazer um Relatório de Reavaliação de Reservas (RRR). Durante todo este tempo, ele estava impedido de fazer as tão importantes conversões de recursos em reservas, bem como refinar malha de pesquisa, dentre outras ações importantíssimas que são desenvolvidas nesta fase.

§ 5º  Os dados obtidos em razão dos trabalhos a que se refere o § 4º serão apresentados ao DNPM, quando da protocolização do plano de aproveitamento econômico, e não poderão ser utilizados para retificação ou complementação das informações contidas no relatório final de pesquisa. (Incluído pela Medida provisória nº 790, de 2017)

Interessante esta inclusão do parágrafo 5º, para formalizar que, apesar da possibilidade da continuidade da pesquisa e inclusão nos planos de aproveitamento econômicos, não pode haver retroalimentação e atualização dos RFPs entregues anteriormente – provavelmente deverão ser alterados com RRRs.

O Artigo 22 também teve alterações relacionadas à este contexto:

Art. 22. A autorização de pesquisa será conferida nas seguintes condições, além das demais constantes deste Código: 

(…)

V – o titular da autorização fica obrigado a realizar os trabalhos de pesquisa e deverá submeter relatório circunstanciado dos trabalhos à aprovação do DNPM no prazo de vigência do alvará ou de sua prorrogação; e    (Redação dada pela Medida provisória nº 790, de 2017)

VI – a apresentação de relatório bianual de progresso da pesquisa poderá ser exigida do titular da autorização, conforme estabelecido em ato do DNPM, sob pena de multa na hipótese de não apresentação ou apresentação intempestiva, nos termos do art. 64.     (Incluído pela Medida provisória nº 790, de 2017)

(…)

§ 6º O conteúdo mínimo e as orientações quanto à elaboração dos relatórios a que se referem os incisos V e VI do caput serão definidos em ato do DNPM, de acordo com as melhores práticas internacionais. (Incluído pela Medida provisória nº 790, de 2017).

Aqui novamente são indicadas adequações da apresentação dos trabalhos de pesquisa mineral nos relatórios finais de acordo com as melhores práticas e é mencionado que haverá um ato do DNPM (ou ANM?) que regulamentará os itens que não estão especificados em Lei.

 

2) Quando estas alterações entrarão efetivamente em vigor?

Apesar da MP 790/2017 entrar em vigor na data de sua publicação (DOU 26/07/2017), é o regulamento do Código de Mineração (DECRETO Nº 62.934, DE 2 DE JULHO DE 1968) que detalha em seu CAPÍTULO V (Da Autorização de Pesquisa) os itens de atendimento do Relatório Final de Pesquisa (Artigo 26), cuja classificação compreende, ainda, as definições:

I – Reserva medida: a tonelagem de minério computada pelas dimensões reveladas em afloramentos, trincheiras, galerias, trabalhos subterrâneos e sondagens, e na qual o teor é determinado pelos resultados de amostragem pormenorizada, devendo os pontos de inspeção, amostragem e medida estar tão proximamente espacejados e o caráter geológicos tão bem definido que as dimensões, a forma e o teor da substância mineral possam ser perfeitamente estabelecidos. A tonelagem e o teor computados devem ser rigorosamente determinados dentro dos limites estabelecidos, os quais não devem apresentar variação superior ou inferior a 20% (vinte por cento) da quantidade verdadeira;
II – Reserva indicada: a tonelagem e o teor do minério computados parcialmente de medidas e amostras específicas, ou de dados da produção e parcialmente por extrapolação até distância razoável com base em evidências geológicas;
III – Reserva inferida: estimativa feita com base no conhecimento dos caracteres geológicos do depósito mineral, havendo pouco ou nenhum trabalho de pesquisa.

Desta forma, há ainda necessidade de aguardar ato do DNPM/ANM, que altere ou revogue estas definições e instruções relacionadas – conforme mencionado no parágrafo 6o. do Artigo 22, do texto da MP 790/2017.

 

3)   O que são os códigos internacionais ?

Os códigos internacionais são instrumentos que apresentam orientações e recomendações de Boas Práticas para a Declaração Pública de Resultados de Exploração, Recursos Minerais e Reservas Minerais e aplicam-se a todos os minerais sólidos, inclusive diamante, outras gemas, minerais industriais, rochas e agregados e carvão. As Declarações Públicas são preparadas para informar investidores ou possíveis investidores e seus consultores, por empresas que captam recursos em bolsas de valores ou negociam seus prospectos e projetos minerais.

O código JORC (sigla para Joint Ore Reserves Commitee do The Australasian Code for Reporting of Exploration Results, Mineral Resources and Ore Reserves) foi publicado pela primeira vez em 1989 e revisado após o escândalo do Bre-X em 1999. Em 1992 foi vez dos USA, com o código do SME (Society of Mining, Metallurgy and Exploration). No final da década de 1990, o Canadá publicou o Instrumento Nacional NI 43-101 pelo Canadian Institute of Mining, Metallurgy and Petroleum (CIM) e a África do Sul, o Código SAMREC, pelo South African Mineral Resource Commitee.

O CRIRSCO (Commitee for Mineral Reserves International Reporting Standards) é a entidade internacional que promove boas práticas e a utilização de normas na definição, modelagem, validação, avaliação e categorização dos recursos minerais e sua transformação em reservas minerais. O CRIRSCO é constituído pelos representantes de cada Comitê Nacional e instituiu um modelo internacional de relatórios (The International Reporting Template), documento que representa o melhor dos códigos internacionais, com recomendações para a elaboração de relatórios, com as melhores práticas adotadas em todo o mundo para a comunicação relacionada com o mercado e investimento financeiro.

O Brasil já possui seu próprio instrumento desde 2015, o Guia Brasileiro da Comissão Brasileira de Recursos e Reservas (CBRR).

 

4) Quais principais definições e recomendações dos códigos?

A classificação de recursos e reservas minerais adotada internacionalmente é indicada na figura abaixo:

Figura 1 – Relação entre definições de resultados de exploração, recursos e reservas minerais

 

As definições a seguir baseiam-se nos conceitos do Código JORC, do Modelo CRIRSCO e do Guia CBRR:

Resultados de Exploração

  • Inclui dados e informações gerados por programas de exploração que podem ser úteis a investidores e devem conter informações suficientes que permitam um julgamento fundamentado e equilibrado do significado dos resultados. A área é classificada como mineralização ou um corpo mineralizado para o qual não houve ainda exploração suficiente para estimar Recursos Minerais.
  • Expressos como intervalo de tonelagens e de teores (ou qualidade).

Recursos Minerais

  • É a concentração ou ocorrência de material com intrínseco interesse econômico, em forma, quantidade e qualidade que constituam um prospecto e que apresentem perspectivas razoáveis de extração econômica.
  • A localização, quantidade, teor, qualidade, continuidade e outras características são conhecidas, estimadas ou interpretadas a partir de evidências e conhecimento geológicos específicos, incluindo amostragem.
  • São subdivididos de acordo com o aumento de confiança geológica, respectivamente em Inferido, Indicado e Medido.

Reservas Minerais

  • Parte economicamente lavrável de um recurso medido ou indicado. São subdividas em Reservas Prováveis e Reservas Provadas.
  • As Reservas Minerais são aquelas porções de Recursos Minerais que resultam em uma tonelagem e teor estimados que na opinião do Profissional Qualificado que faz as estimativas pode ser a base de um projeto viável, após levar em consideração todos os Fatores Modificadores (fatores mineiros, metalúrgicos, econômicos, mercadológicos, legais, ambientais, sociais e governamental).

 

Dentre os principais critérios que compõem os relatórios, que devem ser preparados com a proposta de informar os investidores ou potenciais investidores e seus conselheiros, estão:

  • Transparência: as informações devem ser suficientes, apresentadas de forma clara e eficaz, sem ambiguidade, para haver completa compreensão de seu conteúdo;
  • Materialidade: as informações devem ser relevantes, com o armazenamento das mesmas de forma segura, controladas e qualificadas por metodologias e critérios definidos, para que atenda aos interesses e julgamento dos interessados;
  • Competência: o relatório deve ser planejado, executado e assinado por um profissional responsável, habilitado, qualificado, experiente e competente no tipo de mineralização, que aja conforme código de ética profissional.

 

Recomendo a leitura integral do Guia CBRR para Declaração de Resultados de Exploração, Recursos e Reservas Minerais, para completa compreensão.

 

5) Os relatórios padronizados em JORC/NI-43-101 serão utilizados, na íntegra, como objeto de protocolo de RFP junto ao DNPM?

Esta questão foi formulada pelo Geólogo Leonardo Souza – e respondo com minha opinião, enquanto as regras não são definidas: uma vez que a principal finalidade da certificação internacional é provisão de informações de qualidade para investidores em bolsas de valores e captação/negociação de investimentos para projetos e ainda não há o mecanismo de captação de recursos na bolsa de valores brasileira (Bovespa/B3), o padrão internacional será adequado no Brasil para definição da metodologia de apresentação de resultados, conforme as boas práticas, e, principalmente, para o uso adequado das classes de recursos (medido, indicado e inferido) e reservas (prováveis e provadas), bem como a forma de obtenção destas informações, baseado em amostragem e (in)certeza geológica.

Irei detalhar esta questão em outros artigos, posteriormente.

 

6) Os RFPs deverão ser assinados por um Profissional Qualificado (CP/QP)?

Com base na resposta acima, o princípio básico de competência deve ser atendido, ou seja, coordenado por profissional especialista, mas entendo que deva que ser assinado conforme a legislação brasileira exige – géologo com CREA vigente (+ART). Esta é a regra atual do DNPM, de acordo com as habilitações de responsabilidade técnica. Caso o enfoque seja certificação para bolsa de valores ou captação de investimentos, neste caso sim, haveria necessidade de supervisão e responsabilidade por Profissional Qualificado. No site da CBRR existem maiores informações a respeito, para registro no Brasil.

 

7)   Quais são as mudanças que se farão necessárias para adequação às condutas internacionais?

Além do período de ajustamento, que acontece naturalmente quando há mudanças na legislação, haverá também a necessidade de mudança de cultura, conceitos e paradigmas de alguns pontos para às condutas internacionais, tais como:

  • Adequação às boas práticas de projetos em todas as etapas da pesquisa e avaliação – planejamento, mapeamento, sondagem, descrição, amostragem, controle de qualidade (QAQC), armazenamento de testemunhos, amostras e controles, gestão da informação, interpretação dos dados, modelagem geológica, geoestatística, reconciliação, dentre outras.
  • Melhoria da qualidade das informações, através do estabelecimento de procedimentos e sistemas de gestão da informação, com definição de melhores estratégias de tomada de decisão baseadas em maior confiança no processo e, consequentemente, aumento do valor do ativo de um projeto/empreendimento mineiro.
  • Atualização e capacitação dos profissionais que trabalham com pesquisa mineral
  • Atualização e capacitação dos profissionais que atuam no DNPM, para que possam adequadamente avaliar os novos modelos de relatórios finais de pesquisa, aos moldes dos padrões internacionais.

 

Pessoalmente, eu entendo que a publicação da MP foi um salto imenso na direção da adequação das boas práticas internacionais à legislação brasileira, mas ainda restam alguns outros passos para que sua incorporação nos trabalhos de pesquisa mineral aconteça de fato.

Também acredito que as boas práticas recomendadas pelos instrumentos internacionais elevam a confiança na qualidade da informação dos projetos, e, consequentemente, otimizam as atuais e futuras operações, contribuindo para ações sustentáveis no aproveitamento dos recursos minerais.

Vamos aguardar!

 

Treinamento Geokrigagem relacionado a este tema:

GEO201 – Declaração de Recursos e Reservas Minerais

Os padrões internacionais de certificação, o Guia Brasileiro CBRR, sua aplicação na pesquisa mineral e adequações conforme alterações do Código de Mineração.

 

Informe-se sobre as próximas datas disponíveis ou solicite seu treinamento In Company.

Parte 4 – A importância da coleta de dados geotécnicos de barragens para atendimento à Portaria Nº 70.389/2017 do DNPM

Esta é a quarta e última parte da série de artigos que busca discutir a adoção de soluções tecnológicas visando atender à nova portaria Nº 70.389/2017 do DNPM. Neste artigo, apresentaremos o Slope Health Monitoring System (SHMS), uma plataforma modular para a integração de dados geotécnicos, planejamento de atividades de monitoramento e inspeção, análise de dados, gestão de risco, e a disponibilização de informações que visam suportar e mitigar as incertezas associadas aos processos de tomada de decisão no monitoramento geotécnico, e explanaremos como esta solução atende aos requerimentos da portaria do DNPM.

No contexto de gerenciamento de risco geotécnico em barragens e em minas, é essencial que se tenha acesso à maior quantidade de informações interpretáveis possível, relativas às estruturas geotécnicas, bem como as condições de contorno, e também de atividades de monitoramento e inspeção em campo. O Slope Health Monitoring System (SHMS) é uma solução que foi desenvolvida para atender a essas e outras necessidades de empreendedores da mineração, oferecendo maior controle e segurança sobre as estruturas gerenciadas, e, além disso, minimizando os custos operacionais e financeiros inerentes aos empreendimentos.

Analisando a portaria Nº 70.389/2017, pode-se afirmar que a solução cobre plenamente os requerimentos da portaria, sob a ótica de soluções de software para atendimento à norma. O SHMS é uma solução amplamente flexível e escalável, dotada de um conjunto de módulos interdependentes, que realiza a integração de instrumentos automáticos e manuais, independentemente do tipo e origem dos dados, e, por meio dos dados coletados e armazenados – em uma estrutura Big Data –, possibilita o monitoramento geotécnico, a análise e gestão do risco associado às estruturas em questão, por meio do processamento inteligente e a combinação de métodos estatísticos e de engenharia para a apresentação de informações que visam minimizar as incertezas associadas e apoio à tomada de decisão no monitoramento geotécnico.

Módulos que compõem o SHMS:

–        Integrador de Dados: Responsável pela integração dos sensores instalados nas estruturas geotécnicas em uma base de dados unificada e padronizada. É composto por um Sincronizador de Dados, responsável por realizar as interfaces entre o SHMS e os diversos tipos de sensores e conexões e uma base contextualizada em um Data Warehouse, provendo um repositório centralizado de rápido acesso à grande quantidade de dados obtida, em uma estrutura de gestão Big Data.

–        Monitoramento: Permite o monitoramento em tempo real das leituras realizadas pelos sensores. Este monitoramento ocorre com a representação georreferenciada dos instrumentos em um modelo 2D (mapas WEBGIS) ou 3D (modelos DTM inseridos pelo usuário ou gerados automaticamente) e suas respectivas leituras plotadas em gráficos de séries temporais. Parâmetros de alarmes são configurados, de modo que qualquer comportamento que esteja foram dos intervalos definidos, sejam automaticamente identificados e emita alertas aos responsáveis.

–        Análises Estatísticas: Neste módulo são realizadas análises estatísticas históricas e futuras dos dados coletados. É possível consultar informações sobre quais sensores afetam os demais, bem como análises quantitativas e qualitativas dessa interação, além de análises descritivas, tendências com classificações, agrupamento de séries similares, entre outros. Também, são realizadas previsões das medidas futuras com as incertezas estatísticas associadas, bem como de prováveis intervalos de falhas.

–        Geo Inspector: Solução composta por uma aplicação móvel e uma interface web que permite criação e gestão formulários dinâmicos direcionados para uso em campo para a execução de atividades de monitoramento e inspeção de estruturas geotécnicas.

–        Análise de Estabilidade: Permite o cálculo do fator de segurança de taludes, valor que determina o quão estável está a estrutura. A análise é feita por métodos de equilíbrio limite, em conjunto a métodos estatísticos, permitindo análises mais precisas das estruturas. Além disso, os métodos de elementos finitos fornecem simulações dos esforços atuantes, bem como das deformações ao longo das regiões de análise e das prováveis superfícies de falha.

–        Geologia: Possibilita a interpolação das propriedades geológicas e geotécnicas do solo, a partir dos pontos de coleta de material (sondagem), por meio de algoritmos de Krigagem, os quais produzem, além de resultados determinísticos, análises estatísticas das propriedades interpoladas. Além disso, este módulo permite a modelagem de fraturas contidas no solo.

–        Relatórios: Permite aos gestores obter relatórios automáticos a partir de análises estatísticas, informações de inspeção e monitoramento em campo, anomalias, ações corretivas. Todos os relatórios podem ser customizados à realidade de cada estrutura geotécnica.

–        Anomalias: Responsável pelo cadastro e gestão de anomalias identificadas nas estruturas geotécnicas do empreendimento. Todas as anomalias podem ser priorizadas, detalhadas e atribuídas ações para a correção e resolução dos problemas. A partir de dispositivos móveis em campo, os técnicos podem vistoriar e informar acompanhamentos das respectivas ações em execução.

–        Aderência: Módulo que possibilita a gestão de dados e documentos legais da organização de modo a verificar a aderência operacional, no âmbito das atividades de mineração, se as atividades realizadas estão em conformidade com as leis vigentes, normas que regulamentam e boas práticas adotadas na área de mineração. Além disso, é possível a geração de relatórios que informam a aderência, de acordo com diversos critérios, como: por estrutura, por barragem, para toda a organização, entre outros.

–        Planejamento de lavra: A partir dos dados de sondagem do solo, processados e apresentados no módulo de Geologia, permite-se que seja feito um planejamento otimizado e inteligente dos locais mais propensos para se lavrar em um determinado período, cruzando estas informações com dados do mercado de commodities, fornecendo indicadores da relação entre qualidade do solo x rentabilidade da área a ser lavrada.

–        Planejamento financeiro: Planejamento operacional e financeiro das atividades de extração de commodities, baseado em análise de informações geológicas combinadas com indicadores econômicos reais (e atualizados) de mercado.

A portaria é clara ao afirmar que:

Art. 7º. O empreendedor é obrigado a implementar sistema de monitoramento de segurança de barragem em até 24 meses após a data de início da vigência desta Portaria.

§ 3º As informações advindas do sistema de monitoramento, devem estar disponíveis para as equipes ou sistemas das Defesas Civis estaduais e federais e do DNPM (…)

Portanto, o empreendedor deverá dispor de uma solução que integre dados advindos de instrumentos automáticos e manuais, centralizando as informações em uma plataforma que lhe permita monitorar suas barragens. Estas necessidades são atendidas pelos módulos Integrador de Dados, Geo Inspector e Monitoramento, proporcionando o monitoramento, em tempo real, da segurança de suas estruturas geotécnicas, por meio de visualização georreferenciada do status de alarmes dos instrumentos, últimas leituras realizadas, gráficos temporais e demais informações pertinentes ao monitoramento.

Art. 13. A Revisão Periódica de Segurança de Barragem deverá indicar as ações a serem adotadas pelo empreendedor para a manutenção da segurança, compreendendo, para tanto:

I.O exame de toda a documentação da barragem, em particular dos relatórios de inspeção;

II.O exame dos procedimentos de manutenção e operação adotados pelo empreendedor;

III. A análise comparativa do desempenho da barragem em relação às revisões efetuadas anteriormente;

IV.A realização de novas análises de estabilidade;

V.A análise da segurança hidráulica em função das condições atuais de enchimento do reservatório;

VI.Análise da aderência entre projeto e construção; e

VII. Revisar a documentação “as is”, a depender do caso.

§ 1º Ao ser concluída a RPSB, deve ser emitida uma DCE que será anexada ao PSB e inserida no SIGBM.

O módulo Aderência suportará a elaboração da Revisão Periódica de Segurança da Barragem, ao prover uma análise prévia entre a documentação de projeto da barragem com a norma do DNPM. Além disso, as análises de estabilidade, requeridas no item IV do artigo 13 podem ser realizadas com o módulo Análises de Estabilidade, fornecendo os índices de fator de segurança estrutural da barragem, calculados automaticamente a partir dos parâmetros da barragem e do solo previamente inseridos no Sistema. A estabilidade calculada também permite a elaboração da Declaração de Condição de Estabilidade, item emitido após a conclusão da Revisão Periódica de Segurança da Barragem.

Art. 16. A Inspeção de Segurança Regular de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor, observadas as seguintes prescrições:

Art. 18. O empreendedor deve realizar, quinzenalmente, ou em menor período, a seu critério, inspeções de rotina na barragem sob sua responsabilidade, ocasiões em que deve preencher a Ficha de Inspeção Regular.

Art. 21. O Relatório de Inspeção de Segurança Regular (RISR) da barragem deverá conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II.

Art. 24. A Inspeção de Segurança Especial de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor, observadas as seguintes prescrições:

I. Preencher, diariamente, as Fichas de Inspeção Especial, por meio de equipe composta de profissionais integrantes de seu quadro de pessoal ou por intermédio de equipe externa contratada para esta finalidade, até que a anomalia detectada na ISE tenha sido classificada como extinta ou controlada;(…)

Art. 25. A Ficha de Inspeção Especial da barragem terá seu modelo definido pelo empreendedor e deverá abranger os componentes e estruturas associadas à barragem que tenham motivado a ISE da barragem e, no mínimo, os tópicos existentes no Anexo IV.

Com o módulo Geo Inspector, as fichas de inspeção poderão ser criadas pelos empreendedores dinamicamente, totalmente customizadas e aderentes às exigências do DNPM, tanto para inspeções especiais, quanto para inspeções regulares e de rotina. Ademais, com o módulo Relatórios, os empreendedores podem ter acesso a relatórios customizados, a partir das fichas de inspeção e dados obtidos em campo, obtendo todas as informações e parâmetros classificatórios exigidos pelo DNPM para as estruturas monitoradas.

Art. 27. O Relatório Conclusivo de Inspeção Especial (RCIE) da barragem deve conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II.

 §1º As anomalias que resultem na pontuação máxima de 10 (dez) pontos, em qualquer coluna do Quadro 3 – Matriz de Classificação Quanto à Categoria de Risco (1.2 – Estado de Conservação), serão classificadas de acordo com definições a seguir:

I.Extinto: quando a anomalia que resultou na pontuação máxima de 10 (dez) pontos for completamente extinta, não gerando mais risco que comprometa a segurança da barragem;

II. Controlado: quando a anomalia que resultou na pontuação máxima de 10 (dez) pontos não for totalmente extinta, mas as ações adotadas eliminarem o risco de comprometimento da segurança da barragem, não obstante deva ser controlada, monitorada e reparada ao longo do tempo; e

III. Não controlado: quando a anomalia que resultou na pontuação máxima de 10 (dez) pontos não foi controlada e tampouco extinta, necessitando de novas ISE e de novas intervenções a fim de eliminá-la.

§ 2° A extinção ou o controle da anomalia que gerou a inspeção especial de segurança de barragem deverá

O módulo Anomalias permite a gestão de anomalias identificadas a partir das inspeções realizadas em campo. As anomalias são classificadas, priorizadas e planejadas até sua resolução. Das informações de anomalias, a solução possibilita ainda, por meio do módulo Relatórios, a emissão de relatórios conclusivos das anomalias registradas, conforme exigência da norma do DNPM.

A tabela abaixo sintetiza as exigências da norma do DNPM atendidas pelos módulos que integram a solução SHMS:

Norma 70.389/2017 Módulo do SHMS
Art. 7º. O empreendedor é obrigado a implementar sistema de monitoramento de segurança de barragem em até 24 meses após a data de início da vigência desta Portaria Integrador de Dados e Monitoramento
Art. 13. A Revisão Periódica de Segurança de Barragem deverá indicar as ações a serem adotadas pelo empreendedor para a manutenção da segurança, compreendendo, para tanto:

I. O exame de toda a documentação da barragem, em particular dos relatórios de inspeção;

II. O exame dos procedimentos de manutenção e operação adotados pelo empreendedor;

III. A análise comparativa do desempenho da barragem em relação às revisões efetuadas anteriormente;

IV. A realização de novas análises de estabilidade;

V. A análise da segurança hidráulica em função das condições atuais de enchimento do reservatório;

VI. Análise da aderência entre projeto e construção; e

VII. Revisar a documentação “as is”, a depender do caso.

§ 1º Ao ser concluída a RPSB, deve ser emitida uma DCE que será anexada ao PSB e inserida no SIGBM.

Análise de Estabilidade e Aderência
Art. 16. A Inspeção de Segurança Regular de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor (…).

 

Geo Inspector
Art. 18. O empreendedor deve realizar, quinzenalmente, ou em menor período, a seu critério, inspeções de rotina na barragem sob sua responsabilidade, ocasiões em que deve preencher a Ficha de Inspeção Regular.

 

Art. 21. O Relatório de Inspeção de Segurança Regular (RISR) da barragem deverá conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II.

 

Relatórios
Art. 24. A Inspeção de Segurança Especial de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor (…). Geo Inspector
Art. 25. A Ficha de Inspeção Especial da barragem terá seu modelo definido pelo empreendedor e deverá abranger os componentes e estruturas associadas à barragem que tenham motivado a ISE da barragem e, no mínimo, os tópicos existentes no Anexo IV.
Art. 27. O Relatório Conclusivo de Inspeção Especial (RCIE) da barragem deve conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II. Anomalias

 

Para mais informações a respeito da solução Slope Health Monitoring System e como preparar seu empreendimento para adequar-se à norma 70.389/2017 do DNPM, acesse www.intelltech.com.br ou entre em contato pelo e-mail: contato@intelltech.com.br.

Parte 3 –  Planejamento e gestão de atividades de monitoramento e inspeção de estruturas geotécnicas no Geo Inspector

Esta é a terceira parte da série de artigos que busca discutir a adoção de soluções tecnológicas visando atender à nova portaria Nº 70.389/2017 do DNPM. Apresentaremos a solução para planejamento e gestão de atividades de monitoramento e inspeção de estruturas geotécnicas, denominada Geo Inspector, e explanaremos como esta solução atende aos requerimentos da portaria do DNPM.

Leia a Parte 1 – Novas definições, exigências e prazos no link: http://www.geokrigagem.com.br/solucoes-tecnologicas-para-atendimento-portaria-no-70-3892017-do-dnpm-parte-1-novas-definicoes-exigencias-e-prazos/

 Leia a Parte 2 – A importância da coleta de dados geotécnicos de barragens no link: http://www.geokrigagem.com.br/solucoes-tecnologicas-para-atendimento-portaria-no-70-3892017-do-dnpm/

O Geo Inspector é uma solução composta por um aplicativo móvel e uma interface administrativa que permite o planejamento e gerenciamento simultâneo das atividades de auscultação e inspeção de estruturas, por meio da informatização da coleta de dados e informações geotécnicas. Com esta solução, é possível realizar a gestão integrada de atividades, turnos e escalas de técnicos em campo, categorizados por áreas e estruturas; registro e gestão de anomalias identificadas em campo; cadastro de ativos; e a geração de relatórios gerenciais visando apoio à tomada de decisão.

Com o Geo Inspector, gestores e geotécnicos podem cadastrar dinamicamente fichas de monitoramento – para leitura de dados de instrumentos manuais (auscultação) – e fichas de inspeção – para observação do estado estrutural e averiguação da segurança das áreas monitoradas. As fichas são atribuídas a um turno ou técnico que ficará responsável por conduzir as atividades em campo, preenchendo as fichas com o uso de tablets. Ao final das atividades, as informações coletadas pelo dispositivo móvel são sincronizadas para a interface administrativa do Sistema.

As funcionalidades do Geo Inspector vão ao encontro dos requisitos da Portaria Nº 70.389/2017 do DNPM. Abaixo, fazemos uma explanação acerca dos itens da portaria que são atendidos em sua plenitude pelo Geo Inspector.

Art. 7º. O empreendedor é obrigado a implementar sistema de monitoramento de segurança de barragem em até 24 meses após a data de início da vigência desta Portaria.

§3º As informações advindas do sistema de monitoramento, devem estar disponíveis para as equipes ou sistemas das Defesas Civis estaduais e federais e do DNPM (…)

Com o Geo Inspector, todos os dados originados dos instrumentos de coleta manual também são integrados aos demais instrumentos (de coleta automática), compondo o sistema de monitoramento de segurança.

Art. 16. A Inspeção de Segurança Regular de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor, observadas as seguintes prescrições:

I. Preencher, quinzenalmente, as Fichas de Inspeção Regular, por meio de equipe composta de profissionais integrantes de seu quadro de pessoal ou por intermédio de equipe externa contratada para esta finalidade;

II. Preencher, quinzenalmente, o Extrato da Inspeção de Segurança Regular da Barragem no SIGBM, por meio de equipe composta de profissionais integrantes de seu quadro de pessoal ou por intermédio de equipe externa contratada para esta finalidade; e

III. Elaborar, semestralmente, o Relatório de Inspeção de Segurança Regular da barragem (RISR) com a DCE, onde esta deverá ser enviada ao DNPM via sistema por meio do SIGBM, entre 1º e 31 de março e entre 1º e 30 de setembro.

Art. 18. O empreendedor deve realizar, quinzenalmente, ou em menor período, a seu critério, inspeções de rotina na barragem sob sua responsabilidade, ocasiões em que deve preencher a Ficha de Inspeção Regular.

Art. 21. O Relatório de Inspeção de Segurança Regular (RISR) da barragem deverá conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II.

Art. 24. A Inspeção de Segurança Especial de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor, observadas as seguintes prescrições:

I.Preencher, diariamente, as Fichas de Inspeção Especial, por meio de equipe composta de profissionais integrantes de seu quadro de pessoal ou por intermédio de equipe externa contratada para esta finalidade, até que a anomalia detectada na ISE tenha sido classificada como extinta ou controlada;

II.Preencher, diariamente, o Extrato da Inspeção Especial da barragem, por meio de equipe composta de profissionais integrantes de seu quadro de pessoal ou por intermédio de equipe externa contratada para esta finalidade, até que a anomalia detectada na ISE tenha sido classificada como extinta ou controlada; e

III. Avaliar as condições de segurança e elaborar Relatório Conclusivo de Inspeção Especial da barragem, exclusivamente por meio de equipe externa multidisciplinar de especialistas contratada para esta finalidade, quando a anomalia detectada na ISR da barragem for classificada como extinta ou controlada.

Art. 25. A Ficha de Inspeção Especial da barragem terá seu modelo definido pelo empreendedor e deverá abranger os componentes e estruturas associadas à barragem que tenham motivado a ISE da barragem e, no mínimo, os tópicos existentes no Anexo IV.

Os empreendedores podem criar, dinamicamente, fichas de inspeção customizadas e aderentes aos casos que a Portaria do DNPM prevê, tanto para inspeções especiais, quanto para inspeções regulares e de rotina. Após preenchidas, por meio do aplicativo móvel instalado em tablets, as fichas são transferidas para a interface administrativa, onde são classificadas automaticamente conforme o estado estrutural, segundo os critérios do DNPM, estando elas disponíveis para serem analisadas pelos especialistas, bem como consultadas posteriormente, em qualquer tempo. Ainda, relatórios customizados podem ser desenvolvidos, a partir das fichas de inspeção e dados obtidos em campo, contendo nestes todas as informações e parâmetros classificatórios exigidos pelo DNPM para as estruturas monitoradas.

Art. 27. O Relatório Conclusivo de Inspeção Especial (RCIE) da barragem deve conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II.

§ 1º As anomalias que resultem na pontuação máxima de 10 (dez) pontos, em qualquer coluna do Quadro 3 – Matriz de Classificação Quanto à Categoria de Risco (1.2 – Estado de Conservação), serão classificadas de acordo com definições a seguir:

I.Extinto: quando a anomalia que resultou na pontuação máxima de 10 (dez) pontos for completamente extinta, não gerando mais risco que comprometa a segurança da barragem;

II.Controlado: quando a anomalia que resultou na pontuação máxima de 10 (dez) pontos não for totalmente extinta, mas as ações adotadas eliminarem o risco de comprometimento da segurança da barragem, não obstante deva ser controlada, monitorada e reparada ao longo do tempo; e

III. Não controlado: quando a anomalia que resultou na pontuação máxima de 10 (dez) pontos não foi controlada e tampouco extinta, necessitando de novas ISE e de novas intervenções a fim de eliminá-la.

§ 2° A extinção ou o controle da anomalia que gerou a inspeção especial de segurança de barragem deverá.

O Geo Inspector possibilita, também, a gestão completa sobre anomalias identificadas em campo com as inspeções realizadas. As anomalias são classificadas, priorizadas e planejadas até sua resolução. O sistema permite, ainda, a emissão de relatórios conclusivos das anomalias registradas, conforme exigência da Portaria do DNPM.

A tabela abaixo sintetiza as exigências da norma do DNPM atendidas com a solução de monitoramento e inspeção Geo Inspector:

Norma 70.389/2017 Geo Inspector
Art. 7º. O empreendedor é obrigado a implementar sistema de monitoramento de segurança de barragem em até 24 meses após a data de início da vigência desta Portaria Coleta das leituras dos instrumentos manuais (auscultação) e integração dos dados com o sistema de monitoramento de segurança de barragem.
Art. 16. A Inspeção de Segurança Regular de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor (…).

 

Criação de formulários de inspeção dinâmicos.
Art. 18. O empreendedor deve realizar, quinzenalmente, ou em menor período, a seu critério, inspeções de rotina na barragem sob sua responsabilidade, ocasiões em que deve preencher a Ficha de Inspeção Regular.

 

Art. 21. O Relatório de Inspeção de Segurança Regular (RISR) da barragem deverá conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II.

 

Relatórios gerenciais customizados.
Art. 24. A Inspeção de Segurança Especial de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor (…).

Criação de formulários de inspeção dinâmicos.

Art. 25. A Ficha de Inspeção Especial da barragem terá seu modelo definido pelo empreendedor e deverá abranger os componentes e estruturas associadas à barragem que tenham motivado a ISE da barragem e, no mínimo, os tópicos existentes no Anexo IV.
Art. 27. O Relatório Conclusivo de Inspeção Especial (RCIE) da barragem deve conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II. Registro e gestão de anomalias.

Para mais informações a respeito da solução Geo Inspector e como preparar seu empreendimento para adequar-se à Portaria 70.389/2017 do DNPM, acesse www.intelltech.com.br ou entre em contato pelo e-mail: contato@intelltech.com.br.

Parte 2 – A importância da coleta de dados geotécnicos de barragens para atendimento à Portaria Nº 70.389/2017 do DNPM

Esta é a segunda parte da série de artigos que busca discutir a adoção de soluções tecnológicas visando atender à nova portaria Nº 70.389/2017 do DNPM, órgão federal que tem como atribuições, fiscalizar as atividades de pesquisa e lavra para o aproveitamento mineral e a segurança das barragens de rejeitos resultantes destas atividades.

Leia a Parte 1 – Novas definições, exigências e prazos no link: http://www.geokrigagem.com.br/solucoes-tecnologicas-para-atendimento-portaria-no-70-3892017-do-dnpm-parte-1-novas-definicoes-exigencias-e-prazos/

 

Segurança de barragens é um tema crucial para engenheiros, geotécnicos e técnicos tratarem ao longo do ciclo de vida das estruturas geotécnicas pelos quais estes são responsáveis. É de tamanha importância que o DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, por meio da portaria Nº 70.289, publicada em 17/05/17, estabelece, dentre outros itens, uma série de artigos no qual empreendedores de extração mineral devem adotar visando a inspeção e o monitoramento de suas estruturas geotécnicas (por exemplo: taludes, barragens, diques, aterros, cavas de minas, entre outras), de maneira a garantir que as atividades de pesquisa e lavra para o aproveitamento mineral sejam executadas de maneira segura e estejam em acordo com a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).


Art. 7º. O empreendedor é obrigado a implementar sistema de monitoramento de segurança de barragem em até 24 meses após a data de início da vigência desta Portaria.

2º Para as barragens de mineração classificadas com DPA alto, existência de população a jusante com pontuação 10 e características técnicas com método construtivo contendo pontuação 10, o empreendedor é obrigado a manter monitoramento com acompanhamento em tempo integral adequado à complexidade da estrutura, sendo de sua responsabilidade a definição da tecnologia, dos instrumentos e dos processos de monitoramento.


Conforme o artigo 7º da portaria, sistema de monitoramento de segurança de barragem – até mesmo em tempo integral, dependendo da classificação da barragem de mineração –  deve ser implementado, o que indica que um conjunto de dispositivos deverão ser instalados nas estruturas para prover dados e alimentar o sistema de monitoramento. Estes dispositivos comumente são instrumentos que medem o comportamento estrutural por meio da coleta manual e/ou automática dos dados aferidos pelos sensores. Outros instrumentos também complementam a gama de dispositivos de monitoramento, tais como radares, satélite, estações robóticas, scanners a laser, drones, entre outros.

Deve-se destacar, também, que, além de possibilitar o conhecimento das condições atuais de estruturas, o monitoramento permite um conhecimento prévio de não conformidades e/ou desvios, possibilitando a tomada de medidas/ações para eliminar ou mitigar suas consequências; a validação de premissas adotadas para o desenvolvimento dos projetos destas estruturas; e a obtenção de dados para alterações de seus projetos e/ou operação e para a concepção de futuros empreendimentos similares.

A figura abaixo ilustra um modelo de fluxograma referente ao monitoramento por meio da coleta, integração e análise dos dados para a geração de informação e toda de decisão.


Art. 16. A Inspeção de Segurança Regular de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor, observadas as seguintes prescrições:

I – Preencher, quinzenalmente, as Fichas de Inspeção Regular, por meio de equipe composta de profissionais integrantes de seu quadro de pessoal ou por intermédio de equipe externa contratada para esta finalidade;

II – Preencher, quinzenalmente, o Extrato da Inspeção de Segurança Regular da Barragem no SIGBM, por meio de equipe composta de profissionais integrantes de seu quadro de pessoal ou por intermédio de equipe externa contratada para esta finalidade; e

III – Elaborar, semestralmente, o Relatório de Inspeção de Segurança Regular da barragem (RISR) com a DCE, onde esta deverá ser enviada ao DNPM via sistema por meio do SIGBM, entre 1º e 31 de março e entre 1º e 30 de setembro.


Art. 24. A Inspeção de Segurança Especial de Barragem deve ser realizada pelo empreendedor, observadas as seguintes prescrições:

I – Preencher, diariamente, as Fichas de Inspeção Especial, por meio de equipe composta de profissionais integrantes de seu quadro de pessoal ou por intermédio de equipe externa contratada para esta finalidade, até que a anomalia detectada na ISE tenha sido classificada como extinta ou controlada;

II – Preencher, diariamente, o Extrato da Inspeção Especial da barragem, por meio de equipe composta de profissionais integrantes de seu quadro de pessoal ou por intermédio de equipe externa contratada para esta finalidade, até que a anomalia detectada na ISE tenha sido classificada como extinta ou controlada; e

III – Avaliar as condições de segurança e elaborar Relatório Conclusivo de Inspeção Especial da barragem, exclusivamente por meio de equipe externa multidisciplinar de especialistas contratada para esta finalidade, quando a anomalia detectada na ISR da barragem for classificada como extinta ou controlada


Além do monitoramento (por instrumentos e sistemas), a portaria também estabelece procedimentos periódicos para inspeções de campo, a serem realizadas por profissionais habilitados no intuito de se identificar e tratar não conformidades com potencial de dano à segurança de uma estrutura. A inspeção é um processo da avaliação qualitativa, através de visitas periódicas de campo, com a finalidade de se observar as condições e desempenho da estrutura, através do preenchimento de um formulário de descrição, digital ou manual.

As inspeções podem ter diferentes níveis de abordagem, detalhamento e periodicidade, constituindo elementos fundamentais no controle das estruturas. Os itens comumente observados são abatimentos localizados, danos aos sistemas de proteção, surgências de água, desagregação de blocos de rochas, fissuras por ressecamento, tração ou recalques diferenciais, obstrução da drenagem superficial, erosões laminares ou ravinamento, vazões excessivas, deformações ou subsidência do terreno, todos acompanhados de registro fotográfico.

As anomalias verificadas durante as inspeções devem ser avaliadas pela equipe de geotecnia, que deve ser composta, idealmente, por engenheiros geotécnicos experientes.


Art. 21. O Relatório de Inspeção de Segurança Regular (RISR) da barragem deverá conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II.


Art. 27. O Relatório Conclusivo de Inspeção Especial (RCIE) da barragem deve conter, no mínimo, os elementos indicados no Anexo II.

§ 1º As anomalias que resultem na pontuação máxima de 10 (dez) pontos, em qualquer coluna do Quadro 3 – Matriz de Classificação Quanto à Categoria de Risco (1.2 – Estado de Conservação), serão classificadas de acordo com definições a seguir:

I – Extinto: quando a anomalia que resultou na pontuação máxima de 10 (dez) pontos for completamente extinta, não gerando mais risco que comprometa a segurança da barragem;

II – Controlado: quando a anomalia que resultou na pontuação máxima de 10 (dez) pontos não for totalmente extinta, mas as ações adotadas eliminarem o risco de comprometimento da segurança da barragem, não obstante deva ser controlada, monitorada e reparada ao longo do tempo; e

III – Não controlado: quando a anomalia que resultou na pontuação máxima de 10 (dez) pontos não foi controlada e tampouco extinta, necessitando de novas ISE e de novas intervenções a fim de eliminá-la.


Conforme determinado pelos artigos 21 e 27, os resultados das inspeções devem ser compilados em relatórios, emitidos periodicamente, os quais contemplam anomalias/situações evidenciadas nas inspeções, registro fotográfico de cada estrutura, pluviometria, e resumo das informações de instrumentação. Neste processo, destaca-se que as anomalias identificadas durante as inspeções devem ser registradas e gerenciadas até o fim, até que estejam em acordo com as práticas adotadas e limites estruturais estipulados previamente. A figura ilustra exemplos de relatórios informativos e gerenciais originados à partir do monitoramento e inspeção de estruturas geotécnicas.

É de suma importância que todas as informações advindas do monitoramento e inspeção seja realizado em tempo integral, permitindo ao empreendedor a capacidade de monitoramento contínuo da operação de suas estruturas por meio de instrumentos e de inspeções visuais periódicas. O propósito máximo dessa estrutura é o de identificar, imediatamente, anomalias que podem trazer consequências indesejadas ao empreendimento e acionar as medidas necessárias para correção dessas situações.

Considerando as medidas e práticas supracitadas, o empreendedor poderá operar com segurança e responsabilidade, além de garantir a segurança de empregados, terceiros, população em geral e proteger o meio ambiente no entorno de suas instalações, bem como estar em conformidade com a nova legislação que passa a vigorar.

Existem diversas tecnologias disponíveis no mercado para adequação à Portaria DNPM, e os próximos artigos desta série irão detalhar as vantagens de algumas das melhores soluções. Acompanhe!

 

Parte 1 – Novas definições, exigências e prazos

Nesta nova série de artigos iremos discutir algumas das soluções tecnológicas disponíveis para atendimento à nova portaria sobre segurança de barragens, que consolida as regulamentações atribuídas ao DNPM, nos termos dos artigos 8 a 12 da Lei Federal n° 12.334/2010, que dispõe sobre a Política Nacional de Segurança de Barragens.

Entende-se que para operar com sustentabilidade, as empresas de mineração em todo o mundo consolidam grande quantidade de informações, que envolve alto valor de investimento. A qualidade dessa informação é de fundamental importância e está diretamente ligada à valoração da atividade mineral e sua interação com a sociedade.

Especificamente para a segurança de barragens, a confiança e disponibilidade destes dados tornou-se vital, especialmente após o acidente da Barragem de Fundão em novembro de 2015. Decorrente deste cenário, em 19/05/2017 foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) a Portaria DNPM Nº 70.389, que entra em vigor hoje (19/06/2017), e:

“cria oCadastro Nacional de Barragens de Mineração, o Sistema Integrado de Gestão em Segurança de Barragens de Mineração (SIGBM) e estabelece a periodicidade de execução ou atualização, a qualificação dos responsáveis técnicos, o conteúdo mínimo e o nível de detalhamento do Plano de Segurança da Barragem, das Inspeções de Segurança Regular e Especial, da Revisão Periódica de Segurança de Barragem e do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração, conforme art. 8°, 9°, 10, 11 e 12 da Lei n° 12.334 de 20 de setembro de 2010, que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens – PNSB.”

Esta portaria classifica como Barragens de Mineração:

“barragens, barramentos, diques, cavas com barramentos construídos, associados às atividades desenvolvidas com base em direito minerário, construídos em cota superior à da topografia original do terreno, utilizados em caráter temporário ou definitivo para fins de contenção, acumulação, decantação ou descarga de rejeitos de mineração ou de sedimentos provenientes de atividades de mineração com ou sem captação de água associada, compreendendo a estrutura do barramento e suas estruturas associadas, excluindo- se deste conceito as barragens de contenção de resíduos industriais.”

A partir de hoje, portanto, todas as empresas de mineração deverão habilitar o SIGBM, Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração, que entra em operação. Os dados existentes, armazenados no sistema RALWEB do DNPM, serão importados pelo SIGBM, onde devem ser atualizados pelo empreendedor em até 60 dias após a data do início da vigência desta Portaria (19/08/2017).

Esta atualização compreende a reclassificação quanto aos critérios incluídos na Classificação de Risco (CRI) – Características técnicas (CT):

  • método construtivo (com maior peso para barragens de alteamento à montante)
  • auscultação.

Nota: Por auscultação, entende-se como um conjunto de processos que visam a observação, detecção e caracterização do comportamento da barragem, para controlar suas condições de segurança e preservar funções operacionais e estruturais. Pode ser feita através de monitoramento por instrumentação e inspeção visual – ações mutuamente complementares, cujos dados devem ser analisados em conjunto. Deve ser um processo contínuo, permanente, com objetivos revistos periodicamente.

Os demais itens da CRI [Estado de conservação (EC) / Plano de Segurança de Barragens (PS)] e Dano Potencial Associado (DPA) permanecem como foram definidos na Resolução CNRH 143/2012.

Além disso, todos os mineradores – não importando em qual categoria de risco se enquadre – deverão atender aos artigos:

  • 6o O empreendedor é obrigado a elaborar mapa de inundação para auxílio na classificação referente ao Dano Potencial Associado (DPA) de todas as suas barragens de mineração, individualmente, em até 12 meses após a data de início da vigência desta Portaria (19/06/2018), podendo para tal, fazer uso de estudo simplificado.

Nota: O mapa de inundação (também conhecido por dam break) é um modelo de conceitual de representação do rompimento de uma barragem, de forma que permita definir distâncias da onda de impacto, danos potenciais e demais parâmetros de importância do Plano de Atendimento Emergencial (PAE). O mapa de inundação é elaborado através de modelos matemáticos, cálculos hidrológicos e modos de ruptura das estruturas geotécnicas, em sistema de informação geográfica (SIG).

  • Art. 7o O empreendedor é obrigado a implementar sistema de monitoramento de segurança de barragem em até 24 meses após a data de início da vigência desta Portaria (19/06/2019).
  • 1o O nível de complexidade do sistema de monitoramento dependerá da classificação em DPA da barragem de mineração.

 Nota: Por sistema de monitoramento entende-se a gestão integrada dos dados obtidos por instrumentos e inspeções visuais, para o diagnóstico do comportamento de todos os elementos que compõem uma barragem, possibilitando a identificação de situações de perigo e fornecendo elementos para uma operação segura, de forma que se permita a tomada de decisões rápidas, quando da ocorrência de anomalias nas estruturas geotécnicas. Os resultados devem estar disponíveis conforme exigidos na portaria – na forma de fichas e relatórios anexos, assinados por profissional habilitado.

A implantação do sistema de monitoramento reflete também nas atualizações dos volumes II e III do Plano de Segurança de Barragens, no que se refere aos planos, procedimentos, controles e registros de toda instrumentação e inspeção.

Existem diversas tecnologias disponíveis no mercado para adequação à Portaria DNPM, e os próximos artigos desta série irão detalhar as vantagens de algumas das melhores soluções. Acompanhe!

Em continuidade ao artigo da semana anterior : Geoestatística como ferramenta essencial na agricultura de precissão

Em geral, muita informação é gerada, muita oferta e discurso para amostragem e geração de mapas, porém baixa interpretação e aproveitamento efetivo das informações geradas. Neste tópico serão apresentados alguns estudos de casos oriundos de pesquisas com interpretações e análises de possibilidades de intervenções práticas nas áreas de pesquisa em tecnologia de aplicação no controle de plantas daninhas, pragas e doenças, ainda com dificuldades de sistemas de amostragem, mapeamento e atuações efetivas.

Neste trabalho (Figura 1), foi analisada a variabilidade espacial do número de horas disponíveis no mês de janeiro para realizar a aplicação de produtos fitossanitários no Estado do Paraná, Brasil. A interpretação dos resultados deste estudo traz conhecimentos das particularidades climáticas de cada região o que é fundamental na adoção da AP para o gerenciamento e tomada de decisão na atividade, ou seja, gestão da mão-de-obra, planejamento e dimensionamento da frota de pulverizadores nas propriedades agrícolas. Além disso, permite uma análise mais complexa para diagnosticar as regiões que necessitam de maior atenção na escolha da tecnologia de aplicação visando reduzir os riscos de impacto ambiental, aumentar a eficiência e atingir os benefícios esperados das práticas de pulverização.

Figura 1. Distribuição espacial do número de horas disponíveis para pulverizações em função da temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento no mês de janeiro no estado do Paraná/PR. Fonte: os autores (ainda não publicado)

Nos pulverizadores atuais, temos a opção de adicionar pacotes de eletrônica embarcada, dentre estes, sensores para a aquisição de dados meteorológicos, que possibilitariam ao operador acompanhar em tempo real as variações climáticas durante a pulverização. Porém, como se trata de tecnologias novas seu custo ainda é alto, portanto, pouco utilizado para esse fim na agricultura. Neste estudo, representado na Figura 3, foi desenvolvido uma metodologia de baixo custo para avaliar a variabilidade espacial, a relação do tempo e da área de ocorrência da temperatura e umidade relativa do ar, coletados de forma automática, georreferenciada e embarcada no pulverizador agrícola. Como interpretação prática, observa-se que existe uma variabilidade espacial, resultada do horário de execução das aplicações que alertou a mudança de tecnologia de aplicação para poder continuar as pulverizações sem interrupções da prática e comprometimento da capacidade operacional e gerenciamento do tempo disponível para atividade.

 

Figura 3. Mapas classificados da distribuição espacial da umidade relativa e temperatura do ar durante as pulverizações de herbicidas na pré-semeadura do trigo. Fonte: Marubayashi (2016).

A variabilidade de distribuição do depósito de pulverização nos diferentes locais na planta é um dos grandes gargalos da tecnologia de aplicação. Nesta pesquisa foi avaliado a deposição de pulverização em diferentes locais de coleta nas plantas de soja (Figura 4). O foco principal deste resultado é indicar ausência de dependência espacial para a deposição da pulverização, indicando que estudos e inferências estatísticas também podem ser realizados com base em parâmetros da estatística clássica. Desta forma, a geoestatística também contribuirá para validar a uniformidade de distribuição de insumos realizados pela máquina, indicando neste caso específico que não existe uma dependência espacial da deposição dos produtos, pois os as variações que ocorreram foram inteiramente aleatórias na área ou promovidas pelas pequenas diferenças de arquitetura foliar das plantas ou velocidade do vento e que não se atribuem a oscilações de problemas relativos a máquina. Traz uma análise de que a máquina estando bem regulada e trabalhando nas condições adequada de operação, os mecanismos de distribuição não apresentam nenhuma tendência e os erros oriundos dela são puramente sistemáticos.

 

Figura 4. Distribuição espacial da deposição de pulverização com a ponta AXI 11002 (267 kPa) em folíolos de soja coletados na parte inferior e superior das plantas. Fonte: Martins et al. (2016).

Amostragem e mapeamento por técnicas de geoestatística permite conhecer melhor a correlação espacial e a natureza estrutural da variável coletada.

Cada vez mais precisa, as operações agrícolas tem utilizado tecnologias que reduzem as perdas e proporcionem o máximo de eficiência e lucro para o agricultor, neste ponto, a geoestatística contempla totalmente os anseios e desejos da maioria dos agricultores que a cada dia tem acreditado e buscado continuar praticando a AP.

REFERÊNCIAS

SILVA, A. F. Análise multivariada de dados espaciais na classificação interpretativa de solos. 2014. 96f. Tese (Doutorado em Agronomia). Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agronômicas. Botucatu, 2014.

Sobre os autores:

Rone Batista de Oliveira é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Agronomia pela UFES, Doutorado pela UNESP, Botucatu. Realizou o Doutorado Sanduíche pela Ohio State University (OSU) e United States Department of Agriculture (USDA) nos Estados Unidos na área de Tecnologia de Aplicação e Agricultura de Precisão. Atualmente é professor Adjunto da Universidade Estadual do Norte do Paraná-UENP, Bandeirantes/PR. Tem experiência na área de Agronomia, com pesquisa e extensão em Tecnologia de Aplicação,  Agricultura de Precisão e Estatística.

Neste artigo será abordada uma introdução da relação da geoestatística e agricultura de precisão (AP) que podem resultar em tomada de decisões e intervenções específicas. Entretanto, não teremos a pretensão em realizar conclusões, pois a área está em pleno desenvolvimento e muitas aplicações e soluções na agricultura já foram resolvidas por análises geoestatísticas e muitas outras poderão ser criadas trazendo benefícios para a agricultura.

Lembramos que a AP é uma maneira de gerenciar a agricultura levando em consideração a variabilidade temporal e espacial da produtividade das culturas e dos fatores a ela inerentes. Porém, há necessidade de profissionais qualificados para interpretar corretamente a variabilidade existente e entender a necessidade de tomada de decisões e intervenções localizadas, realizadas com base no retorno econômico, social e ambiental das atividades.

O conceito de AP somente se concretiza com tomada de decisões e intervenções específicas.

Mesmo com mais de duas décadas de definição, notamos na prática uma grande distorção entre o que AP poderá oferecer e a esperança dos produtores. Há tendência que a adoção da AP proporcionará uniformidade das lavouras, aumento da produtividade e redução do custo de produção. O ponto positivo é a adoção continuada e fundamentada nos fatores relacionados à variabilidade espacial das lavouras. Neste aspecto, a geoestatística aparece como fundamental para otimização do planejamento de amostragem (aquisição de dados espaciais) e aplicações de diferentes técnicas de mapeamento. Além disso, auxilia na definição de inovações tecnológicas visando ampliar a adoção e entender as diferentes escalas e regiões em que AP é empregada no Brasil.

A geoestatística e AP possuem ferramentas que são complementares para o entendimento das variações que ocorrem no campo. Em várias situações a geoestatística oferece recursos ímpares a AP e, reciprocamente, a AP proporciona recursos que permitem determinar a estrutura de dependência espacial e juntas permitem construir cenários para tomada de decisões e ações práticas de manejo específico.

No ciclo básico de produção, que contém diferentes sistemas de manejo, geralmente se inicia com as práticas de limpeza da área e correção do solo; semeadura e adubação; controle de plantas daninhas, pragas e doenças; colheita e por fim toda a logística de transporte e comercialização (Figura 1). Observa-se que técnicas de geoestatística e AP podem ser aplicadas com atuações no gerenciamento em todos os segmentos do ciclo.

Alguns pontos do ciclo de produção estão bem consolidados e outros com limitações de aplicações destas técnicas.  O tamanho dos retângulos na Figura 1, simboliza a magnitude de evolução em cada segmento no ciclo de produção agrícola. Nota-se que o segmento de manejo de plantas daninhas, pragas e doenças ainda é o maior “gargalo” para adoção de AP e carece de ações efetivas em nível de intervenções específicas. É o segmento de maior demanda de pesquisas para compreender a estrutura e dependência espacial de plantas daninhas, doenças e pragas, sensores e sistemas para monitoramento preciso e, em tempo real. Esta evolução necessita de alto investimento devido à complexidade dos equipamentos para atuações localizadas, e é pouco explorada e desconhecida.

No segmento solo, em nível de território brasileiro, os métodos convencionais de levantamento e classificação de solos são demorados, tem alto custo, com limites abruptos entre as unidades de mapeamento. Além disso, não são adequados para a aplicação da AP, pois a dependência espacial dos atributos do solo não é considerada (SILVA, 2014). Neste caso, o uso da interpolação por geoestatística, que considera a dependência espacial de atributos do solo no processo de classificação, permite obter mapas de solos mais realísticos, porque os limites entre as classes de solos são graduais, como ocorrem na natureza.

Figura 1. Relação intrínseca entre a Geoestatística e Agricultura de Precisão no ciclo de produção.

No ciclo de produção agrícola (Figura 1), observa-se que a amostragem e o mapeamento são os pontos comuns que afirmam a relação recíproca da geoestatística e AP. Existem muitas dúvidas e falta de entendimento do tamanho da malha amostral (grid), número de pontos na amostragem, indicando muitos resultados de altíssima incerteza, principalmente em função da busca de padronização e generalização de métodos de amostragens em um cenário de agricultura no Brasil que apresenta muitas diferenças em termos de regiões e escalas de produção.

É sabido e pouco praticado que maior número de pontos (mais informações) consegue representar melhor a variabilidade, porém também a alteração do tamanho e do tipo de malha amostral em uma lavoura pode gerar mapas diferentes que podem requerer maior ou menor aquisição de insumos. Cada malha apresenta particularidades que variam de lavoura para lavoura. A geoestatística é a técnica de análise mais apropriada pois leva em consideração todos estes fatores. É neste aspecto que a aplicação da geoestatística torna-se fundamental para otimização do número mínimo de pontos amostrais, tipo e tamanho da grade amostral para representar com menos incerteza a variabilidade espacial dos fatores determinantes da produtividade.

A GEOSTATÍSTICA é a principal técnica da AP para estabelecer de maneira otimizada e segura o plano de amostragem georreferenciado. Na prática, permite conhecer a viabilidade para construir mapas na agricultura com base em amostragens e incertezas.

REFERÊNCIAS

SILVA, A. F. Análise multivariada de dados espaciais na classificação interpretativa de solos. 2014. 96f. Tese (Doutorado em Agronomia). Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agronômicas. Botucatu, 2014.

 

Sobre os autores:

Rone Batista de Oliveira é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Agronomia pela UFES, Doutorado pela UNESP, Botucatu. Realizou o Doutorado Sanduíche pela Ohio State University (OSU) e United States Department of Agriculture (USDA) nos Estados Unidos na área de Tecnologia de Aplicação e Agricultura de Precisão. Atualmente é professor Adjunto da Universidade Estadual do Norte do Paraná-UENP, Bandeirantes/PR. Tem experiência na área de Agronomia, com pesquisa e extensão em Tecnologia de Aplicação,  Agricultura de Precisão e Estatística.